Saúde

Cardiologista explica como os relacionamentos interpessoais podem afetar a saúde

Conexões humanas podem ser um fator decisivo para a qualidade de vida, podendo tanto curar quanto adoecer.

01/04/2025 08h29
Cardiologista explica como os relacionamentos interpessoais podem afetar a saúde

No quadro Momento IDM Cardio, o cardiologista Dr. Israel Reis trouxe um tema que vai muito além do consultório: o impacto dos relacionamentos interpessoais na saúde física e mental. Ele destacou que conexões humanas podem ser um fator decisivo para a qualidade de vida, podendo tanto curar quanto adoecer.

“No consultório, a gente tem o hábito de perguntar sobre colesterol, tabagismo, prática de exercícios e peso corporal. Esses são fatores de risco importantes, mas poucas vezes se valoriza os relacionamentos. Como está sua relação com seu cônjuge? Com seus filhos? No trabalho e com seus amigos? O quanto isso impacta na saúde é assustadoramente maior do que muitos imaginam”, afirmou o cardiologista.

Segundo Dr. Israel, estudos apontam que relações conflituosas podem aumentar os riscos de doenças cardíacas, infartos, arritmias e até mesmo a resistência à insulina.

“Relações ruins estão associadas ao aumento do cortisol e de hormônios do estresse, colocando a pessoa em um estado de estresse crônico. Esse quadro gera inflamação e pode aumentar a pressão arterial e a frequência cardíaca, elevando o risco de doenças cardiovasculares tanto quanto o tabagismo ou o sedentarismo”, explicou.

Por outro lado, bons relacionamentos promovem saúde e longevidade. O especialista citou o estudo da Universidade de Harvard, iniciado em 1938 e ainda em andamento, que investiga os fatores que mais impactam na felicidade e na saúde ao longo da vida.

“Depois de 80 anos acompanhando essas pessoas, o estudo mostrou que o principal fator para uma vida longa e saudável são bons relacionamentos. Eles reduzem o risco de infarto, AVC e até mesmo de demências, como Alzheimer”, destacou.

O estudo também analisou quais fatores determinam a longevidade de um grupo de pessoas aos 50 anos.

“Não foi o colesterol e nem a genética. O que mais influenciou foi a qualidade dos relacionamentos que essas pessoas tinham em sua comunidade”, acrescentou.

Diante disso, Dr. Israel reforça a importância de cultivar boas conexões e também estabelecer limites saudáveis.

“O livro ‘Especialista em Pessoas’, de Tiago Brunet, traz insights valiosos sobre como alinhar expectativas nos relacionamentos. Ele propõe classificar os amigos em diferentes categorias: necessários, estratégicos, irmãos e contornáveis. Essa organização pode ajudar a evitar frustrações e a manter a paz interior”, sugeriu.

Mas como evitar que uma relação tóxica impacte negativamente na saúde? Para Dr. Israel, isso é uma escolha consciente.

“Relacionar-se bem exige disposição ativa. Não adianta esperar que tudo se resolva sozinho. É preciso cultivar empatia, saber ouvir e entender que os amigos também precisam de trocas. Relacionar-se é desafiador, porque cada pessoa tem suas próprias demandas, história e crenças”, pontuou.

O cardiologista reforçou ainda que, além da saúde emocional, bons relacionamentos impactam diretamente na imunidade.

“Estudos mostram que relações ruins diminuem a imunidade, aumentando o risco de infecções e até de câncer. Por outro lado, quem tem suporte emocional de um cônjuge, amigo ou família se alimenta melhor, dorme melhor e se recupera mais rápido de doenças crônicas”, ressaltou.

Para finalizar, Dr. Israel deixou um conselho: “Que tal hoje mandar uma mensagem para alguém especial dizendo ‘eu te amo’, ‘eu te perdoo’, ou ‘vamos conversar’? Isso pode trazer mais paz para sua vida e impactar diretamente na sua saúde. Cultivar o perdão e a empatia é um dos maiores aprendizados que podemos ter”, concluiu.

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