Cardiologista alerta para cuidados com o coração da mulher e destaca importância da prevenção
Para o especialista, é fundamental que o cuidado com a saúde feminina seja integral, incluindo também a atenção ao coração.

A saúde cardiovascular feminina foi tema de entrevista com o cardiologista Dr. Germano Lefundes no programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM. O especialista destacou que, embora o coração de homens e mulheres seja muito semelhante do ponto de vista anatômico, existem diferenças importantes no surgimento e na manifestação das doenças cardíacas.
Segundo o médico, antes da menopausa as mulheres costumam apresentar uma proteção natural contra doenças cardiovasculares, graças à ação hormonal.
“Até a menopausa a mulher tende a ter uma proteção maior, com redução do número de eventos cardiovasculares quando comparado aos homens. Isso ocorre porque o estrogênio, que é um hormônio natural da mulher, tem um efeito protetor”, explicou.
No entanto, após essa fase da vida, os níveis de incidência de doenças cardiovasculares passam a se aproximar dos observados entre os homens.

O cardiologista também chamou atenção para a sobrecarga enfrentada por muitas mulheres, que acumulam responsabilidades no trabalho e em casa, o que pode aumentar os níveis de estresse e contribuir para o adoecimento.
“A mulher trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, muitas vezes dos pais e de outros familiares. Esse acúmulo de funções faz com que o nível de estresse seja muito grande”, afirmou.
Ele destacou ainda que, diante dessa rotina intensa, muitas mulheres acabam negligenciando o próprio cuidado com a saúde.
“A gente ouve muito no consultório mulheres dizendo que não estavam se cuidando, não estavam fazendo atividade física nem indo ao médico porque estavam dedicadas a cuidar dos outros”, relatou.
Para o especialista, é fundamental que o cuidado com a saúde feminina seja integral, incluindo também a atenção ao coração.
“A mulher já tem o hábito de procurar o ginecologista regularmente, mas é importante lembrar que o cuidado com o coração também precisa estar em pauta”, ressaltou.
Outro ponto destacado pelo cardiologista é que os sintomas de infarto nas mulheres podem ser diferentes daqueles mais comuns nos homens, o que pode atrasar a busca por atendimento médico.
“Nos homens, muitas vezes aparece aquela dor forte no peito que irradia para o braço esquerdo e vem acompanhada de falta de ar. Já nas mulheres os sintomas podem ser mais sutis”, explicou.
Entre os sinais mais frequentes nas mulheres estão fadiga intensa, tontura, palpitações e desconforto leve no peito.
“Como os sintomas podem ser mais tênues, muitas vezes a mulher demora a procurar atendimento. Por isso, quando infarta, pode chegar ao hospital com o quadro mais grave”, alertou.
O médico orienta que qualquer sintoma persistente, como dor no peito, desconforto no abdômen superior, tontura, náusea ou mal-estar, deve ser investigado imediatamente.
“Esses sintomas, principalmente quando aparecem juntos, devem levar a pessoa a procurar atendimento em uma unidade de emergência”, disse.
Além dos fatores tradicionais como hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo e sedentarismo, o cardiologista explicou que algumas condições da vida feminina também podem aumentar o risco cardiovascular.
Entre elas estão a menarca precoce (primeira menstruação muito cedo), menopausa antes dos 40 anos, síndrome dos ovários policísticos e complicações durante a gestação, como hipertensão ou diabetes gestacional.
“Essas situações não devem gerar medo, mas servem como alerta para que a mulher procure acompanhamento médico mais regular ao longo da vida”, destacou.
De acordo com o especialista, em geral a avaliação cardiológica preventiva deve começar por volta dos 40 anos, tanto para homens quanto para mulheres. No entanto, em casos de histórico familiar ou presença de doenças como diabetes e colesterol elevado, esse acompanhamento deve começar mais cedo.
“Quando existe um parente próximo que teve infarto em idade precoce, é importante antecipar esse cuidado e iniciar a avaliação cardiológica antes dos 40 anos”, explicou.
O cardiologista reforçou que a prevenção ainda é a melhor forma de evitar doenças cardiovasculares e destacou algumas medidas simples que podem fazer diferença.
“Atividade física regular, alimentação saudável, evitar ultraprocessados, cuidar da qualidade do sono e aprender a gerenciar o estresse são atitudes simples que reduzem muito o risco cardiovascular”, afirmou.
O médico reforçou a importância da conscientização sobre a saúde feminina.
“As mulheres têm um papel extremamente importante na sociedade e precisam cuidar mais da própria saúde. Pequenas mudanças no dia a dia podem trazer grandes benefícios ao longo da vida”, concluiu.







