COP 30

Bioeconomia e inovação colocam Brasil à frente na transição verde, diz presidente da Associação Brasileira de Bioinovação

Ele defende que o Brasil deve manter programas de longo prazo, que ultrapassem ciclos de governo.

20/11/2025 06h16
Bioeconomia e inovação colocam Brasil à frente na transição verde, diz presidente da Associação Brasileira de Bioinovação

O presidente do Conselho da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), Maurício Adade, avaliou de forma positiva a participação do Brasil e da iniciativa privada na COP30, realizada em Belém do Pará. Em entrevista, ele ressaltou o avanço da organização do evento, o protagonismo do país na bioeconomia e a necessidade de que governos, empresas e sociedade trabalhem de forma conjunta para enfrentar a crise climática.

“Me surpreendi muito positivamente, diferente de algumas mensagens que foram veiculadas, o Brasil fez um trabalho muito bom na organização da COP”, afirmou Maurício.

Ao falar sobre combustíveis fósseis e alternativas sustentáveis, Maurício lembrou o pioneirismo brasileiro com o Proálcool.

“Não existe país no mundo que tenha um programa como tivemos com o Proálcool. Temos uma história linda a ser repetida. O carro flex é brasileiro e hoje avançamos para etanol de segunda geração, etanol de milho e biocombustível para aviação com tecnologia nacional”, destacou.

Ele defende que o Brasil deve manter programas de longo prazo, que ultrapassem ciclos de governo.

“Não dá para ter programas apenas de governos. Tem que ter programas de Estado. O mundo precisa de biocombustíveis e o Brasil tem protagonismo para liderar.”

Maurício destacou que a ABBI reúne setores diversos ligados à bioinovação, do agronegócio e indústria cosmética à área de alimentos e biotecnologia, promovendo integração para fortalecer o potencial brasileiro no tema.

“Tudo que está relacionado ao ‘bio’, à bioeconomia, onde o Brasil pode ter um papel de liderança, nós estamos agregando. A associação representa setores que têm na biotecnologia seu eixo principal”, explicou.

Segundo ele, a COP não pode mais ser vista apenas como um evento político, já que as soluções climáticas exigem participação ativa do setor privado.

“A COP nasceu como um acordo entre governos, mas evoluiu. Não dá para passar 100% da responsabilidade para o governo. A iniciativa privada tem participado bastante e precisa continuar participando”, destacou.

Ele citou como exemplo a criação da AgriZone na COP30, área organizada pela Embrapa para apresentar pesquisas e soluções do agronegócio e da bioeconomia.

Para Maurício, um dos maiores desafios é transformar as discussões da COP em ações concretas.

“Essas reuniões são muito importantes, mas a grande frustração é pensar: e no dia seguinte? Não adianta fazer post na rede social e não fazer nada. A responsabilidade é de todos nós”, pontuou.

Ele defende a criação de uma agenda comum entre governos, empresas e sociedade civil.

“Tem que deixar as agendas de cada um em casa e começar a trabalhar juntos. A pergunta que fica é: o que você vai fazer diferente amanhã para seus filhos e netos viverem em um mundo melhor?”

Sobre a questão do financiamento para ações climáticas, Maurício foi enfático.

“A mudança do clima não acontece só na minha cidade. Ela acontece no globo. Então todo mundo tem que aportar recursos. Não há como avançar sem responsabilidade compartilhada.”

Ele lembrou que a iniciativa privada já tem investido em pesquisa e desenvolvimento, citando como exemplo uma molécula descoberta por sua antiga companhia que reduz em 30% a emissão de metano em bovinos.

“Esse é o tipo de inovação que mostra como todos podem colaborar, pesquisando, investindo, protegendo florestas e desenvolvendo agricultura regenerativa”, disse.

*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém

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