Audiência pública debate regulação de pacientes em Feira de Santana e aponta desafios no sistema de saúde
Representantes da saúde municipal, estadual e sociedade civil discutem superlotação, demora por vagas e necessidade de integração no sistema
13/04/2026 12h26
Foto: JP Miranda
Uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (13), na Câmara Municipal de Feira de Santana, colocou em debate um dos principais gargalos da saúde pública: a regulação de pacientes. O encontro, promovido pela Comissão de Saúde, Assistência Social e Desporto, reuniu autoridades, profissionais da área e representantes da população para discutir a demora na transferência de pacientes e a escassez de leitos.
A presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, destacou que a realidade enfrentada no Hospital da Mulher reflete diretamente os problemas da regulação.
Foto: JP Miranda
Segundo ela, a unidade atende não apenas Feira de Santana, mas toda a região, o que aumenta significativamente a demanda.
“A gente tem um fluxo grande, atende Feira e toda a região. Às vezes precisamos da regulação imediata, principalmente quando temos bebês prematuros que necessitam de assistência de alta complexidade”, explicou.
Gilberte chamou atenção para situações críticas, como a falta de vagas em UTI neonatal, que obriga o hospital a improvisar espaços.
“Quando há superlotação de bebês prematuros e não temos vaga na UTI, precisamos usar leitos do centro cirúrgico, o que acaba dificultando outras assistências”, afirmou.
Ela ainda ressaltou que o problema envolve múltiplos fatores.
“Estrutura, gestão e comunicação são importantes. Todas as esferas precisam trabalhar de forma contínua para garantir uma melhor assistência”, completou.
Foto: JP Miranda
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, reforçou que a regulação é um tema complexo e que não pode ser tratado de forma simplista.
Foto: JP Miranda
“Problemas complexos não têm soluções simples. Quem diz que é simples não está sendo honesto intelectualmente”, afirmou.
Ele destacou a importância do debate como ferramenta para evolução do sistema.
“O contraditório, quando colocado de forma respeitosa, faz com que a gente avance. Essa discussão foi importante e necessária”, disse.
Rodrigo também explicou que não há um único fator responsável pelas falhas na regulação.
“Não dá para eleger um item como o principal problema. Estamos falando de algo muito maior, que envolve gestão clínica, tempo de permanência dos pacientes e o descasamento entre oferta e demanda”, pontuou.
Foto: JP Miranda
Presidente da Comissão de Saúde, o vereador Lulinha destacou que a audiência foi motivada por um cenário considerado urgente, com pacientes aguardando por dias nas unidades.
Foto: JP Miranda
“Essa audiência foi marcada pela quantidade de pessoas internadas em UPAs e policlínicas, com dificuldade na regulação. Às vezes o paciente morre esperando uma vaga”, afirmou.
O vereador também criticou a ausência de representantes do Governo do Estado durante o encontro.
“Foi um descaso. A secretária de Saúde do Estado não enviou representante. Um tema tão importante precisava da presença do Estado”, disse.
Lulinha ainda relatou a situação enfrentada por pacientes que aguardam transferência.