Ataques continuam, mas situação começa a se estabilizar em Israel, relata frei brasileiro
Religioso que vive na Terra Santa diz que confrontos diminuíram nos últimos dias, mas alertas e ataques ainda ocorrem na região

O frade franciscano Frei Valdir Nunes Ribeiro, da Província de São Paulo e residente há cinco anos em Israel, afirmou que o cenário da guerra no Oriente Médio apresenta sinais de relativa estabilidade nos últimos dias, embora ataques ainda continuem sendo registrados.
Em participação em no Programa Jornal do Meio Dia, o religioso explicou que o conflito não envolve apenas o confronto direto entre Israel e Irã, mas também a atuação de grupos aliados ao regime iraniano em outros territórios da região.
“A situação continua mais ou menos estável já há alguns dias, com uma diminuição relativa. Mas ainda temos alertas e ataques. Eles não vêm só do Irã. Também somos atacados a partir do Líbano com o Hezbollah, que é financiado pelo Irã, e há também grupos no sul e no Iêmen”, relatou.
Segundo Frei Valdir, a maior parte dos ataques recentes tem origem na região do Líbano, onde atua o grupo armado apoiado pelo Irã.
O religioso acredita que o atual momento já começa a mostrar sinais de uma possível abertura para negociações diplomáticas, embora ainda haja confrontos.
“Podemos perceber a construção de narrativas e de exigências de um lado e de outro, o que é normal em um processo que pode caminhar para o diálogo”, explicou.
Ele destacou que as exigências apresentadas nas negociações tendem a ser altas, algo que faz parte da cultura de negociação no Oriente Médio.
“O Oriente Médio é feito de povos de comércio. Quem negocia aqui nunca pede pouco. Pede muito para chegar a uma metade ou um pouco menos. É uma lógica de negociação da região”, afirmou.
Outro fator que aumenta a pressão por uma solução para o conflito é o impacto econômico global causado pela guerra, especialmente na circulação de petróleo na região.
“Já temos dificuldades na passagem pelo estreito, o que afeta o fluxo de petróleo e acaba influenciando a economia de vários países. Os preços já começam a subir”, disse.
Para o religioso, esse cenário mostra que a guerra não beneficia nenhum dos lados envolvidos.
“Todo mundo está sendo prejudicado por essa guerra. Uma solução é necessária. Agora precisamos ver quantos dias ainda serão necessários até chegar a um cessar-fogo”, destacou.
Frei Valdir também comentou a percepção internacional sobre o conflito, afirmando que os ataques ocorrem em ambas as direções.
“Os ataques são dos dois lados. Ataca-se lá e ataca-se aqui. É um processo de ataque, defesa e contra-ataque”, explicou.
Apesar da tensão, ele afirmou que a rotina começa a voltar gradualmente em algumas áreas de Israel.
“A sensação aqui é que, pouco a pouco, a vida vai voltando ao normal. Não dá para ficar todo mundo parado, porque a economia quebra”, disse.
Como exemplo, o religioso citou a realização de uma celebração religiosa recente na região de Jardim do Getsêmani, em Jerusalém.
“Ontem conseguimos realizar uma celebração no Getsêmani, com um grupo pequeno. Aos poucos as atividades vão retornando”, relatou.
Mesmo diante da continuidade dos ataques, Frei Valdir reforçou a expectativa de que o conflito evolua para negociações diplomáticas.
“A nossa esperança é que se chegue logo a um cessar-fogo para depois negociar os pontos de interesse de ambos os lados. Enquanto há ataques, fica muito difícil dialogar”, concluiu.






