Álcool em excesso pode antecipar AVC em até 10 anos, alerta neurologista
Consumo abusivo envelhece o cérebro, enfraquece vasos cerebrais e aumenta risco de derrames mais graves, segundo a médica Patrícia Schettini

O consumo excessivo de álcool pode provocar um envelhecimento acelerado do cérebro e antecipar o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em até 10 anos, segundo alerta da neurologista Patrícia Schettini. Embora muitas pessoas associem os danos do álcool principalmente ao fígado, o cérebro também está entre os órgãos mais afetados ao longo do tempo.
De acordo com a especialista, estudos indicam que pessoas que consomem grandes quantidades de álcool apresentam risco significativamente maior de desenvolver AVC de forma precoce, em comparação com aquelas que bebem pouco ou não consomem bebida alcoólica: “O álcool em excesso envelhece os vasos do cérebro, enfraquece suas paredes, aumenta a rigidez das artérias e reduz a proteção natural dos vasos cerebrais”, explica.
Esse processo favorece tanto o entupimento quanto o rompimento dos vasos, podendo levar a AVCs do tipo isquêmico ou hemorrágico. Além disso, o consumo frequente de álcool ativa uma inflamação cerebral silenciosa, que dificulta a recuperação das células nervosas: “É como se o cérebro perdesse, aos poucos, sua capacidade de defesa, tornando-se mais sensível a lesões”, destaca a especialista.
Outro fator importante apontado por Patrícia Schettini é a elevação da pressão arterial. Segundo ela, o álcool pode provocar picos de pressão, especialmente durante a noite, sobrecarregando os vasos cerebrais: “A hipertensão é um dos principais fatores de risco para o AVC, e o consumo excessivo de álcool contribui diretamente para esse quadro”, afirma.

A neurologista também ressalta que o uso contínuo de álcool reduz a resistência do cérebro à falta de oxigênio. Com isso, quando ocorre um AVC, as lesões tendem a ser mais graves. “Isso explica por que os AVCs em pessoas que bebem muito costumam ser mais severos e com recuperação mais difícil”, pontua.
Na prática, esse conjunto de fatores faz com que o cérebro envelheça antes do tempo, aumentando a chance de doenças neurológicas e neurodegenerativas surgirem mais cedo. No entanto, há uma boa notícia: segundo a especialista, o cérebro tem capacidade de se proteger quando hábitos são modificados.
“Reduzir ou interromper o consumo excessivo de álcool ajuda a diminuir a inflamação cerebral, contribui para a normalização da pressão arterial, preserva os vasos cerebrais e reduz o risco de AVC e demência. Cuidar do cérebro hoje é garantir mais autonomia, memória e qualidade de vida no futuro. O álcool em excesso pode roubar esses anos de longevidade”, conclui.
*com informações do repórter JP Miranda






