Afogamento é a segunda causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos no Brasil, alerta Corpo de Bombeiros
Dados apontam maior incidência no verão e reforçam a importância da supervisão constante e da prevenção em ambientes aquáticos

O afogamento segue como um grave problema de saúde pública no Brasil, especialmente entre crianças e adolescentes. Dados do boletim 2025 da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático Público (Sobrasa) revelam que o afogamento é a segunda principal causa de óbito entre crianças de 1 a 4 anos no país. Além disso, dois adolescentes morrem afogados diariamente, enquanto quatro crianças perdem a vida todos os dias pelo mesmo motivo. Do total de ocorrências, 31% acontecem durante o verão.
De acordo com o cabo do Corpo de Bombeiros, João Lucas, a prevenção começa, principalmente, pela supervisão ativa e constante dos adultos. “As crianças enxergam o ambiente aquático como diversão e não percebem os riscos. Por isso, o adulto precisa estar sempre atento, observando de forma contínua”, explica.
No caso de piscinas, a orientação é instalar barreiras físicas, como portões com trava, para impedir o acesso livre das crianças. Dentro de casa, recipientes como baldes e bacias devem ser sempre esvaziados, além de manter a tampa do vaso sanitário fechada. Outro cuidado importante é com os ralos de piscinas. “É fundamental desligar o filtro e utilizar ralos adequados para evitar sucção, que pode prender a criança no fundo da piscina”, alerta o bombeiro.
Em praias, rios e lagos, a recomendação é nunca deixar crianças sozinhas, nem mesmo em águas rasas. “Existe um ditado muito conhecido entre nós: água no umbigo é sinal de perigo. Mesmo em locais aparentemente seguros, a supervisão é indispensável”, reforça João Lucas.
O uso de equipamentos flutuadores certificados pelo Inmetro também é essencial. Entre os mais indicados estão coletes salva-vidas e boias que envolvem simultaneamente os braços e o tronco da criança, reduzindo o risco de submersão. Além disso, o Corpo de Bombeiros orienta que os banhistas nadem sempre próximos a postos de guarda-vidas, respeitem as sinalizações de segurança e evitem áreas com correntes de retorno, valas ou locais de profundidade desconhecida. “Em águas doces, o risco é ainda maior, pois a densidade facilita o afundamento das vítimas”, pontua.
Outro ponto destacado é a educação aquática desde cedo. Segundo o cabo, as crianças devem aprender a nadar com instrutores qualificados, adotar comportamentos seguros dentro da água e evitar brincadeiras perigosas, como empurrões, saltos arriscados ou simulações de afogamento.
“A prevenção também passa pelo preparo. Ensinar as crianças e capacitar adultos em primeiros socorros pode fazer toda a diferença em uma situação de emergência”, conclui.
*com informações da repórter Isabel Bomfim






