Saúde

Adolescência e Saúde Mental: A Importância da Hebiatria na Prevenção ao Suicídio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo.

11/09/2024 09h46
Adolescência e Saúde Mental: A Importância da Hebiatria na Prevenção ao Suicídio
Foto: Divulgação

O Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, ainda enfrenta desafios para conquistar a visibilidade necessária nas mídias sociais e na sociedade como um todo.

A médica hebiatra Cintia Filomena, especializada no cuidado da saúde de adolescentes, destaca que, entre os meses de campanhas preventivas, o Setembro Amarelo é o que ainda recebe menos atenção e foco.

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“Percebo que o tema é tratado de forma muito velada. O suicídio é um tabu; há um mito de que falar sobre o assunto poderia, de alguma forma, incentivar o ato. No entanto, hoje sabemos que o caminho é justamente o contrário. É preciso discutir o tema abertamente, orientar e informar para prevenir”, afirma a médica.

Falar é Fundamental

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 32 brasileiros tiram a própria vida diariamente, e os adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis. Para Cintia Filomena, o papel do hebiatra é fundamental na identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico entre os jovens.

“A prevenção é complexa e deve ser multidisciplinar, envolvendo avaliações fisiológicas, mentais, comportamentais e sociais. O acompanhamento de um hebiatra é essencial, pois este profissional entende as peculiaridades da adolescência e pode identificar sinais de alerta que muitas vezes passam despercebidos em um contexto mais generalista”, explica a médica.

Desafios na Prevenção

Segundo a hebiatra, a prevenção ao suicídio entre adolescentes enfrenta diversos obstáculos, desde a falta de informação e diálogo até a dificuldade de acesso a tratamentos adequados. “O tratamento para jovens em risco de suicídio é complicado, muitas vezes demorado, e envolve uma equipe de profissionais, como psiquiatras e psicólogos. No entanto, no sistema público, o acesso a esses especialistas nem sempre é fácil”, pontua Cintia.

Ela ressalta a necessidade de fortalecer as redes de apoio e ampliar o acesso aos serviços de saúde mental. “Ainda temos muita dificuldade, e é preciso falar muito sobre isso para realmente conseguir fazer uma prevenção eficaz”, reforça.

O Papel da Hebiatria

A hebiatria, ramo da medicina voltado para o atendimento de adolescentes, desempenha um papel crucial na prevenção do suicídio ao oferecer uma abordagem integral para o cuidado com a saúde mental dos jovens. “É importante que o adolescente tenha um espaço seguro onde possa falar sobre suas angústias e dificuldades. O hebiatra é um profissional que compreende a fase de transição que o adolescente vive, suas mudanças emocionais e sociais, e pode oferecer o suporte necessário para atravessar esse período de forma saudável”, destaca Cintia Filomena.

O Setembro Amarelo deve ser uma oportunidade para quebrar tabus e ampliar a conscientização sobre a importância da saúde mental dos adolescentes. Ao falar abertamente sobre o suicídio, a sociedade pode contribuir para salvar vidas e promover a valorização da vida desde cedo.”É importante que pais, educadores, profissionais de saúde e toda a comunidade estejam atentos aos sinais de sofrimento entre os jovens e busquem orientação e apoio especializado. A conscientização é a chave para a prevenção, e o diálogo aberto pode ser um aliado poderoso na valorização da vida”, afirma a médica.

Na opinião dela, “ainda há um longo caminho a percorrer, mas o primeiro passo é trazer o tema para o centro das discussões e tratar a saúde mental com a seriedade que ela merece, principalmente na adolescência, um período tão delicado e de tantas transformações”, conclui a médica hebiatra.

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