Cirurgia inédita pelo SUS no interior da Bahia devolve a voz a paciente na Santa Casa de Feira de Santana
Procedimento pioneiro no interior da Bahia marca avanço na reabilitação de pacientes oncológicos

A Santa Casa de Misericórdia de Feira de Santana realizou, na última quarta-feira (22), a primeira cirurgia de reabilitação fonatória pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no interior da Bahia. O procedimento, considerado inédito na região, possibilitou que um paciente de 80 anos voltasse a falar após perder completamente a laringe em decorrência de um câncer.
A intervenção consistiu na implantação de uma prótese traqueoesofágica, dispositivo que permite a passagem de ar da traqueia para o esôfago, possibilitando a produção da fala.
A cirurgia foi realizada pelos médicos Leonardo Rios, cirurgião de cabeça e pescoço e coordenador do serviço na unidade, e Mariana Cedro, cirurgiã de cabeça e pescoço e otorrinolaringologista, com participação da anestesista Ruth Camarão, da instrumentadora cirúrgica Manuela Cerqueira e da técnica de enfermagem Karoline Souza.

Segundo Dr. Leonardo, o avanço vai além do tratamento da doença e representa uma etapa fundamental na reintegração social do paciente.

“Tão importante quanto obter a cura do paciente e retirar o tumor é devolver esse paciente para a sociedade. No caso desse paciente, ele perdeu completamente a laringe e ficou sem falar. Com isso, perde também parte da sua identidade e da capacidade de se conectar com outras pessoas”, destacou.
O paciente havia sido submetido à retirada total da laringe em outubro do ano passado e, desde então, estava impossibilitado de se comunicar por meio da voz. Com a nova cirurgia, ele passa a ter a possibilidade de recuperar essa função, ainda que por meio de um processo gradual de reabilitação.
“Graças a uma portaria do Ministério da Saúde, conseguimos implantar essa prótese pelo SUS. É um dispositivo que permite que o paciente volte a se comunicar”, explicou o médico.
Apesar do sucesso do procedimento, o processo de recuperação exige acompanhamento especializado. O paciente deverá passar por sessões de fonoterapia com um fonoaudiólogo para reaprender a falar.
“Ele vai precisar de um treinamento específico, porque não vai falar exatamente como antes. Existe um reaprendizado motor, de coordenação da musculatura e da respiração, já que ele passou cerca de seis meses sem falar”, ressaltou Rios.
O médico também destacou que a experiência abre caminho para novos procedimentos semelhantes na unidade.
“A gente pavimentou um caminho aqui na Santa Casa. O primeiro caso sempre é mais desafiador, mas agora os próximos tendem a ser mais tranquilos. O paciente não precisa buscar outros serviços: conseguimos diagnosticar, tratar e reabilitar no mesmo local”, afirmou.
O paciente foi identificado como João da Silva e passa bem.
*Com informações do repórter Robson Nascimento






