Giro do SINPRO-BA passa por Feira de Santana e reforça luta por valorização e saúde mental dos professores
Presidente do sindicato, Allysson Mustafa aponta descumprimento de direitos, baixos salários e sobrecarga como principais desafios da categoria na rede privada

O presidente do Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA), professor Allysson Mustafa, esteve em Feira de Santana nesta semana como parte do “Giro SINPRO-BA”, iniciativa que percorre diversas cidades do estado com o objetivo de aproximar a entidade da categoria e fortalecer a mobilização por melhores condições de trabalho.
Allysson destacou que a principal pauta atual do sindicato gira em torno da valorização dos profissionais, com foco em reajuste salarial, melhoria do piso e ampliação de direitos, especialmente no ensino privado.
“Hoje a gente tem trabalhado no ensino superior privado na Bahia a valorização, salário e estabelecimento de direitos que ainda não estão na convenção coletiva e que tornam essa convenção bastante frágil”, afirmou.
Um dos pontos mais críticos, segundo o dirigente, é o valor do piso salarial dos professores da educação básica privada no estado, considerado muito abaixo do ideal.
“No caso da educação básica privada na Bahia, esse piso é de doze reais. Um professor formado, que passou pela universidade, tem como valor mínimo apenas doze reais. É muito insuficiente”, criticou.
Ele comparou o valor com o piso nacional do magistério público, que, embora também enfrente críticas, apresenta diferença significativa.
“Se a gente comparar com o nacional do magistério público, esse valor é de vinte e oito reais e cinquenta. Não é nenhuma maravilha, mas é muito superior ao que temos na rede privada”, pontuou.
Sobrecarga
Outro problema recorrente apontado por Allysson é a realização de atividades fora da sala de aula sem a devida remuneração.
“O professor recebe para dar aula, mas tem um conjunto de outras atividades que realiza fora da sala e não é remunerado por isso. Isso precisa ser regulamentado”, disse.
Ele também criticou práticas abusivas em algumas instituições.
“Tem dono de escola que trata o professor como escravo, como se tivesse que estar disponível sete dias por semana, vinte e quatro horas por dia. Não pode ser assim”, declarou.
A sobrecarga de trabalho tem impactado diretamente a saúde dos docentes, especialmente no aspecto psicológico, tema que passou a ser prioridade nas discussões do sindicato.
“Hoje nós temos no adoecimento, sobretudo nas doenças psíquicas, um grande problema. O sindicato está de olho nisso e buscando regras que protejam a saúde mental e o bem-estar do professor”, afirmou.
Giro busca aproximar sindicato da categoria
O “Giro SINPRO-BA” faz parte de uma estratégia de interiorização da atuação sindical, levando informações e fortalecendo a presença da entidade fora da capital.
“A Bahia é um estado muito grande. O giro traz essa ideia de correr o estado, ir onde o trabalhador está. Tem muito professor que nem sabe da existência do sindicato”, explicou.
Segundo ele, além da aproximação, a ação também tem o objetivo de impulsionar as campanhas salariais em andamento.
De acordo com Allysson, as demandas identificadas em Feira de Santana não diferem do restante da Bahia, com destaque para o descumprimento de leis trabalhistas e da convenção coletiva.
“A gente percebe, em muitos casos, descumprimento de legislação e da convenção coletiva. Isso é algo que encontramos aqui e em todo o estado”, afirmou.
O presidente do Sinpro-BA também destacou diferenças estruturais entre as duas redes, principalmente no que diz respeito à estabilidade e à carreira.
“Na educação privada, não existe plano de carreira. O que diferencia um professor que está começando de outro com trinta anos de experiência? Hoje, nada”, criticou.
“Além disso, o trabalhador do setor privado não tem a estabilidade que o do setor público possui. Isso muda completamente a estrutura da carreira”, completou.
Após passagem por Feira de Santana, o giro segue para outras cidades, como Cruz das Almas, mantendo o cronograma de visitas e atividades com a categoria.
“Estaremos em Cruz das Almas e depois retornamos a Feira. Nosso trabalho aqui e na região é contínuo, com dirigentes sindicais atuando localmente”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda






