Meu Bairro em Pauta: Bar Esquina da Pedra atravessa gerações e se torna símbolo de resistência na Rua Nova
Há mais de 30 anos à frente do estabelecimento, Seu Luiz relembra trajetória, desafios e a relação com a comunidade

A terceira reportagem da série “Meu Bairro em Pauta”, exibida no programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, destaca uma das figuras mais tradicionais da Rua Nova: Antônio Luiz Lopes de Medeiros, conhecido como Seu Luiz da Pedra, proprietário do Bar Esquina da Pedra.
Natural de Antônio Cardoso, Seu Luiz chegou a Feira de Santana ainda jovem e construiu sua história no bairro, onde vive há décadas e criou sua família.
“Eu vim pra Feira com 18 anos. Me instalei aqui na Rua Nova, meus filhos nasceram aqui e até hoje estou trabalhando e vivendo daqui”, contou.
Há cerca de 30 anos no mesmo ponto comercial, o bar se tornou referência para moradores da região, mantendo uma clientela fiel e produtos tradicionais que marcam a identidade do estabelecimento.
“Tenho requeijão, manteiga, carne de sertão, farinha, depois coloquei cerveja. O pessoal gosta e sempre vem aqui”, destacou.

Antes de se firmar no atual endereço, Seu Luiz enfrentou dificuldades até conseguir estabilizar o negócio. Segundo ele, a persistência foi essencial para superar os momentos mais complicados.
“Nem sempre foi fácil. Teve época que o movimento caiu muito, mas eu me ergui de novo. Hoje estou aqui e não saio mais”, afirmou.
A ligação com a Rua Nova é tão forte que ele não pensa em deixar o bairro.
“Daqui eu não saio mais. Já saí uma vez e voltei. Aqui é meu lugar”, disse.
Durante a pandemia da Covid-19, quando muitos estabelecimentos fecharam as portas, o Bar Esquina da Pedra seguiu funcionando, com adaptações para garantir a segurança.
“Não fechei. Afastei o balcão, trabalhei de máscara e tive cuidado. Continuei aqui firme”, relembrou.

Outro episódio curioso que marcou a história recente do bar foi a adoção do pagamento via Pix, impulsionada por uma situação inusitada envolvendo clientes e o cantor André Lopes. Tudo começou após uma partida de futebol entre veteranos. O grupo seguiu para o tradicional bar de Seu Luiz, onde consumiram bastante. Na hora de fechar a conta, veio o impasse.
“O pessoal tomou umas três caixas de cerveja, comeu tudo, e na hora de pagar, Seu Luiz disse: ‘não trabalho com Pix, não’ e a maioria só tinha dinheiro no celular”, relembrou André.
Sem aceitar cartão ou transferência, Seu Luiz mantinha o estilo tradicional, trabalhando apenas com dinheiro em espécie. A situação inusitada virou assunto no bairro e inspiração musical. André transformou o episódio na canção “Seu Luiz”, que faz uma homenagem bem-humorada ao comerciante e ao seu jeito “das antigas”.
“Eu não trabalhava com Pix. Aí, com a ajuda de André, acabei fazendo. Hoje já tenho até QR Code”, contou.

Além da clientela, Seu Luiz faz questão de destacar o apoio recebido ao longo dos anos por moradores da Rua Nova.
“Devo muito ao povo daqui. Me abraçaram, me ajudaram nos momentos difíceis. Eu também faço questão de abraçar todo mundo”, afirmou.
Com mais de cinco décadas de história no bairro e meio século de casamento com Maria da Hora Dias Medeiros, Seu Luiz representa a resistência e a tradição de um comércio que vai além da venda de produtos, tornando-se ponto de encontro, memória viva e símbolo da identidade da Rua Nova.
*Com informações do repórter JP Miranda







