Saúde

Mais de 90% dos casos de câncer anal estão ligados ao HPV, alertam especialistas

Uso de preservativo e acompanhamento médico são essenciais para reduzir riscos e evitar complicações

23/04/2026 12h08

O “De Mulher pra Mulher” no programa Jornal do Meio Dia trouxe um tema de grande relevância para a saúde pública: a relação entre o HPV (Papilomavírus Humano) e o câncer anal. A ginecologista Dra. Cláudia Souza e o médico proctologista Dr. Paulo Vinícius destacaram a importância da informação, prevenção e diagnóstico precoce, além de reforçarem a necessidade de quebrar preconceitos em torno do assunto.

Dra. Cláudia ressaltou a alta incidência do vírus na população. “O HPV é um vírus transmissível pelo contato, principalmente pele com pele e mucosas. Ele é a infecção sexualmente transmissível mais comum e pode causar verrugas e lesões ocultas, que não são visíveis a olho nu”, explicou.

O especialista convidado reforçou a ligação direta entre o vírus e o câncer anal.

“Mais de 90% dos tumores do canal anal estão associados à infecção pelo HPV. É um vírus muito comum, e grande parte da população já teve contato com ele, mesmo sem apresentar sintomas”, afirmou Dr. Paulo Vinícius.

Durante a entrevista, foi destacado que o câncer anal é diferente do câncer intestinal, por conta das առանձնidades anatômicas da região.

“O canal anal tem características próprias, com revestimento celular, circulação e inervação diferentes, o que influencia no comportamento da doença”, detalhou o médico.

A discussão também ampliou o olhar sobre o HPV, que não afeta apenas a região anal.

“Esse vírus pode provocar lesões em várias partes do corpo, como vulva, vagina, colo do útero, pênis, além da boca, língua e garganta”, pontuou a ginecologista.

Apesar da forte relação com o câncer, os especialistas fizeram questão de esclarecer que nem todo caso de HPV evolui para a doença.

“HPV não é sinônimo de câncer. Em muitos casos, o próprio organismo elimina o vírus. O problema está na infecção persistente, que pode causar alterações celulares”, destacou Dra. Cláudia.

Entre os fatores de risco, foram citados o início da vida sexual, múltiplos parceiros, relações sem proteção e condições que comprometem o sistema imunológico.

“Pacientes imunossuprimidos, pessoas com HIV ou transplantados têm maior risco de desenvolver lesões pré-malignas”, explicou Dr. Paulo.

Outro ponto de alerta são os sintomas, que muitas vezes podem ser confundidos com problemas comuns.

“O câncer anal pode ser silencioso. Quando há sinais, eles incluem verrugas, nódulos, dor ao evacuar, sangramento e secreção. Mas esses sintomas podem ser confundidos com hemorroidas, por exemplo”, disse o especialista.

Dra. Cláudia reforçou a importância de não ignorar sinais. “Sangramento nunca é normal. Não significa necessariamente câncer, mas precisa ser investigado”, alertou.

Os médicos também destacaram a importância do rastreamento e dos exames preventivos.

“Assim como existe o papanicolau para o colo do útero, também é possível fazer citologia anal. É um exame simples e pode detectar lesões precoces”, explicou a ginecologista.

Na prevenção, o principal destaque foi o uso do preservativo e a vacinação. “Sexo seguro é fundamental. Além disso, a vacina contra o HPV está disponível no SUS para grupos específicos e também na rede privada. Mesmo quem já teve contato com o vírus pode se beneficiar da vacinação”, afirmou Dr. Paulo.

Outro aspecto abordado foi a dificuldade de muitos pacientes em falar sobre a própria vida sexual. “

É essencial que o paciente se sinta acolhido. Não pode haver julgamento. Nossa função é orientar, tratar e prevenir”, ressaltou o especialista.

Apesar de ser considerado um câncer raro, representando cerca de 4% dos tumores do trato digestivo, os médicos alertam para o crescimento dos casos.

“Os números estão aumentando no Brasil e no mundo, muito ligados à redução do uso de preservativos e ao relaxamento na prevenção”, destacou.

Os especialistas reforçaram que o diagnóstico precoce é decisivo. “Quando identificado no início, o câncer anal tem altas chances de cura. Por isso, a prevenção e o acompanhamento médico são fundamentais”, concluiu Dra. Cláudia.

Comentários

Leia também

Saúde
Ministério da Saúde alerta para risco de sarampo após Copa de 2026

Ministério da Saúde alerta para risco de sarampo após Copa de 2026

Alta circulação de viajantes e surtos em países-sede acendem preocupação com reintrodução...
Saúde
Corrida melhora saúde do coração e pode aumentar expectativa de vida

Corrida melhora saúde do coração e pode aumentar expectativa de vida

Prática regular, mesmo em baixa intensidade, reduz riscos de doenças cardiovasculares...
Saúde
Busca por estética sem tratar doenças preocupa especialista e pode trazer riscos à saúde

Busca por estética sem tratar doenças preocupa especialista e pode trazer riscos à saúde

Nutróloga alerta para riscos do emagrecimento sem acompanhamento e destaca importância...