Letramento digital e autonomia feminina: capacitação transforma realidade de empreendedoras na Bahia
Capacitação digital e fortalecimento da autoestima impulsionam mulheres a transformar pequenos negócios em empreendimentos estruturados

A discussão sobre caminhos reais para o fortalecimento feminino ganha destaque, especialmente no campo do empreendedorismo. Em Feira de Santana e em diversas cidades do interior da Bahia, muitas mulheres iniciam seus negócios por necessidade, em busca de renda e independência. No entanto, ainda enfrentam desafios como insegurança, falta de apoio e dificuldades no uso das ferramentas digitais.
Para entender como o letramento digital pode mudar esse cenário, o programa Jornal do Meio Dia conversou com a jornalista, educadora e pesquisadora Priscila Mendes, que atua na capacitação de mulheres para o uso estratégico das redes sociais e das tecnologias digitais como aliadas no crescimento dos seus negócios.
Segundo Priscila, o conceito de letramento digital não se resume ao simples uso de aplicativos ou redes sociais.
“Quando a gente fala em letramento digital, não é só pegar o celular e mexer. É entender como funcionam as plataformas, pensar estratégias e também trabalhar a autoestima enquanto mulher”, explicou.
Ela destaca que o processo envolve conhecimento técnico, mas também desenvolvimento pessoal, principalmente no que diz respeito à autoconfiança e posicionamento no ambiente digital.
De acordo com a pesquisadora, muitas das dificuldades enfrentadas pelas mulheres no uso da tecnologia estão ligadas a fatores históricos e sociais.
“Muitas mulheres tiveram que abandonar o mercado de trabalho ou nunca tiveram acesso a ele. Isso faz com que elas não entendam processos, valores e até o próprio negócio”, afirmou.
Além disso, há uma barreira emocional importante: “A primeira dificuldade é a aceitação. Depois que a gente trabalha a autoestima e mostra que é possível, elas deslancham.”
A autoestima aparece como um dos principais fatores que impactam diretamente o crescimento dos negócios liderados por mulheres.
“A imagem hoje fala muito nas redes sociais, e muitas mulheres não se sentem confiantes. Querem modificar fotos, esconder quem são. Mas a autoaceitação é o primeiro passo para acreditar que podem chegar onde desejam”, destacou.
Priscila reforça que o trabalho desenvolvido em suas formações não é apenas técnico, mas também humano:
“Antes de ensinar a mexer na ferramenta, a gente precisa fortalecer essas mulheres, que muitas vezes estão fragilizadas e desacreditadas.”
Um dos pontos centrais abordados durante a entrevista foi a necessidade de mudar a mentalidade em relação ao empreendedorismo.
“Muitas começam dizendo que é um ‘bico’, mas é preciso entender que é um negócio. Você precisa nominar o que faz e reconhecer o valor do seu produto ou serviço”, pontuou.
Para ela, o crescimento começa quando há uma mudança de visão:
“Você pode ter um negócio pequeno, mas precisa ter um olhar ampliado. É isso que permite desenvolver e buscar novas oportunidades.”
Outro aspecto essencial é a construção de redes de apoio entre mulheres empreendedoras.
“As mulheres precisam se apoiar. Uma puxa a outra. Só assim a gente consegue criar uma rede forte de empreendedorismo feminino e alcançar novos espaços no mercado.”
A metodologia desenvolvida por Priscila leva em conta o tempo e a realidade de cada mulher.
“Eu posso aplicar a mesma metodologia, mas cada uma tem seu tempo. O respeito, o cuidado e o entendimento da diversidade são pilares fundamentais”, explicou.
Ela ressalta que, embora a parte técnica possa ser aprendida em plataformas digitais, o diferencial está no acompanhamento humano:
“A técnica você aprende no YouTube. Mas o cuidado para aprimorar exige troca, escuta e acolhimento.”
Priscila deixou um conselho direto para mulheres que desejam empreender:
“Comece com o que você tem. Não espere o celular ideal ou o equipamento perfeito. Use a luz do dia, grave em ambientes simples, mas comece.”
Ela reforça que o primeiro passo é determinante: “Se você não começa, fica parado e parado você não chega a lugar nenhum.”
A própria trajetória da pesquisadora é exemplo disso. Antes de ingressar no mestrado e consolidar sua metodologia, ela buscou conhecimento gratuito e desenvolveu suas estratégias com os recursos disponíveis.
“Eu comecei com o que eu tinha. E isso fez toda a diferença para chegar onde estou hoje.”







