Feridas crônicas afetam mais mulheres e exigem atenção precoce, alerta especialista
As chamadas úlceras venosas, que surgem principalmente nas pernas, representam a maioria dos casos e atingem mais o público feminino.

Feridas que demoram a cicatrizar, muitas vezes tratadas como algo comum no dia a dia, podem representar um problema de saúde mais sério, especialmente entre mulheres. O alerta é da estomaterapeuta Àquilla Chahinne, que destacou a necessidade de atenção e tratamento especializado para evitar complicações.
Segundo a especialista, é comum que pacientes convivam por meses ou até anos com lesões sem buscar ajuda adequada.
“Muitas pessoas convivem com feridas de difícil cicatrização, feridas complexas, feridas crônicas e muitas mulheres acabam se adaptando a essa situação, como se fosse algo normal, mas não é”, afirmou.
De acordo com Àquilla, as chamadas úlceras venosas, que surgem principalmente nas pernas, representam a maioria dos casos e atingem mais o público feminino.
“65% das pessoas que desenvolvem feridas de origem venosa são mulheres. Isso acontece por fatores genéticos e também pelo estilo de vida, como longos períodos em pé e mudanças durante a gestação”, explicou.
Ela ressalta que esse tipo de ferida costuma aparecer acima do tornozelo, evolui rapidamente e pode apresentar secreção constante.
“É uma ferida que cresce rápido, elimina secreção e melhora quando a pessoa eleva as pernas e descansa”, pontuou.
Outro ponto de preocupação destacado pela estomaterapeuta é o uso de métodos caseiros, que podem piorar o quadro.
“Já atendi pacientes que colocaram plantas, fumo, algodão e até areia dentro da ferida. Isso gera um processo inflamatório crônico, porque o corpo tenta combater esses resíduos o tempo todo”, relatou.
Ela reforça que o uso de produtos inadequados impede a cicatrização. “O tratamento não é só o que se coloca na ferida, mas tudo que está por trás dela. É preciso um acompanhamento profissional”, destacou.
Um dos pontos mais importantes trazidos na entrevista é a atualização no tempo de alerta para buscar ajuda especializada.
“Antes se falava em quatro semanas. Hoje, se em duas semanas a ferida não apresentar melhora significativa, já é necessário procurar um especialista”, explicou.
Entre os sinais de alerta estão dor intensa, presença de pus, tecido escurecido, vermelhidão ao redor da lesão e ausência de redução do tamanho da ferida.
Àquilla também destacou o avanço dos tratamentos modernos. Segundo ela, a tecnologia tem papel fundamental na recuperação dos pacientes.
“Hoje conseguimos estimular a formação de novos vasos, produção de colágeno e regeneração celular. Isso melhora o tempo e a qualidade da cicatrização”, afirmou.
Relatos de pacientes reforçam eficácia
Durante a entrevista, pacientes compartilharam experiências positivas com o tratamento. Uma delas, dona Marivalda, comemorou a recuperação.
“Fui muito bem recebida, a equipe é organizada e eu indico a qualquer pessoa. Graças a Deus, saí bem”, relatou.
Outro depoimento foi do jornalista Robson Nascimento, que passou por dois atendimentos. “Tive uma queimadura de segundo grau e também um problema com unha encravada. Fui bem atendido e tive uma boa recuperação”, disse.
Primeiro passo é a decisão
Para quem convive com feridas crônicas, a especialista destaca que o início do tratamento passa por uma decisão pessoal.
“O primeiro passo é a coragem. É decidir que quer melhorar a qualidade de vida e acreditar no tratamento. A partir disso, a gente constrói esse processo junto com o paciente”, afirmou.
A clínica Doutor Curativos está localizado no Edificio Ícone, 4º andar, em Feira de Santana, oferecendo acompanhamento multidisciplinar e até atendimento domiciliar.
“Estamos preparados para ajudar mulheres em diversas situações, inclusive no pós-operatório, pós-parto e tratamentos oncológicos”, concluiu.






