Desafios nas vendas e sobrecarga ainda marcam realidade de mulheres empreendedoras na Bahia, aponta Sebrae
Analista Marília Enéas destaca dificuldades em gestão, acesso a crédito e reforça importância da capacitação e do posicionamento no mercado

O empreendedorismo feminino segue em crescimento na Bahia, especialmente em cidades como Feira de Santana, mas ainda enfrenta desafios significativos, principalmente nas áreas de vendas, gestão financeira e sobrecarga de trabalho. A avaliação é da analista técnica e gestora do programa Sebrae Delas, Marília Enéas, em entrevista.
Segundo ela, pesquisas recentes realizadas pelo Sebrae apontam que a principal dificuldade das mulheres empreendedoras está na área comercial.
“As principais dificuldades são relacionadas à questão de vendas. Não é só fazer o dinheiro chegar, mas garantir constância, previsibilidade de resultados”, afirmou.
Marília explica que muitas empreendedoras até utilizam ferramentas digitais, mas ainda encontram obstáculos para transformar visibilidade em faturamento.
“Algumas já utilizam Instagram e WhatsApp, mas não sabem como converter isso em venda de verdade. Às vezes vendem bem em um período e depois passam muito tempo sem vender”, destacou.
Outro ponto crítico é a gestão financeira. De acordo com a analista, erros básicos ainda são comuns.
“Muitas não sabem lidar com fluxo de caixa e não separam as finanças pessoais das do negócio. Isso pode fazer com que a pessoa acabe pagando para trabalhar”, alertou.
Além disso, a sobrecarga de funções também impacta diretamente o desempenho das empreendedoras.
“Muitas empreendem, trabalham como CLT e ainda cuidam da casa. Essa sobrecarga acaba afetando os resultados”, completou.
A atuação das mulheres empreendedoras na região se concentra principalmente no setor de serviços. Áreas como beleza, estética, alimentação e saúde lideram.
“São segmentos ligados à economia do cuidado. Temos muitas mulheres atuando com estética, alimentação, restaurantes, saúde e cosméticos. É uma presença feminina muito forte”, explicou Marília.
Para enfrentar esses desafios, o Sebrae tem desenvolvido iniciativas voltadas ao público feminino, como o programa Sebrae Delas, que oferece capacitações e promove conexão entre empreendedoras.
“A gente tem grupos, capacitações gratuitas e encontros que ajudam tanto na parte técnica quanto no networking. É um espaço para trocar experiências e crescer juntas”, disse.
Entre as ações, está o “Encontro Delas”, marcado para o dia 31 de março, em Feira de Santana. O evento terá foco no desenvolvimento pessoal e empresarial das participantes.
“A ideia é trabalhar aspectos como mentalidade, finanças e posicionamento. Muitas mulheres têm negócios excelentes, mas não sabem comunicar seu valor”, ressaltou.
O acesso ao crédito também aparece como uma barreira importante. Marília destaca que, embora existam linhas específicas para mulheres, muitas ainda não conseguem atender aos requisitos.
“É comum que não tenham CNPJ ou que ele esteja no nome do esposo. Além disso, é preciso organização financeira para conseguir crédito”, explicou.
Ela cita alternativas como programas de instituições financeiras e fundos de aval que podem facilitar o acesso.
“O importante é conhecer as opções e entender qual se encaixa melhor no seu negócio”, orientou.
Para quem deseja começar a empreender, mas ainda enfrenta inseguranças, Marília reforça que o diferencial está na própria pessoa, independentemente da concorrência.
“Mesmo que existam vários negócios iguais, você é única. O cliente muitas vezes escolhe pela pessoa, pelo atendimento, pela forma de entregar o serviço”, afirmou.
Ela conclui destacando a importância do autoconhecimento e da confiança. “Quando a gente se apropria do nosso diferencial e se posiciona, consegue atrair os clientes certos e crescer de verdade”, finalizou.







