II Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito debate prevenção e alerta para dados alarmantes em Feira de Santana
Evento reúne autoridades, especialistas e vítimas para discutir soluções e reforçar a conscientização sobre acidentes, que já impactam diretamente a saúde pública

O II Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito, realizado nesta segunda-feira (23), no Centro de Convenções de Feira de Santana, reuniu autoridades, profissionais da saúde, representantes da sociedade civil e vítimas para discutir os impactos dos acidentes e propor medidas de enfrentamento ao problema na região.
O comandante do Comando de Policiamento da Região Leste (CPR-L), coronel Michel Muller, destacou a gravidade da situação e o impacto direto na rede de saúde. Segundo ele, os acidentes de trânsito deixaram de ser apenas uma questão de mobilidade e passaram a representar um problema de segurança e saúde pública.

“Temos um número alarmante. Cerca de 80% dos leitos do Hospital Clériston Andrade já foram ocupados por vítimas de acidentes de trânsito, principalmente envolvendo motocicletas. Isso é quase inacreditável, se não fosse verdade”, afirmou.

O coronel ressaltou ainda que a Polícia Militar atuará com foco em três frentes principais: fiscalização, educação para o trânsito e qualificação dos policiais.
“Vamos nos apegar a esses três vieses para fazer a diferença e contribuir com a redução desses índices”, pontuou.
A iniciativa do fórum partiu da Câmara da Mulher Empresária, que abraçou a causa após receber um alerta sobre o aumento de acidentes e a superlotação hospitalar.
A representante da entidade, Alfreda Xavier, destacou a importância da união entre os setores público e privado.

“Essa não é uma causa apenas da Câmara da Mulher Empresária, é uma causa de toda a sociedade feirense. Precisamos da participação de todos”, afirmou.
O superintendente municipal de trânsito, Ricardo Cunha, reforçou que a principal mudança necessária está no comportamento dos condutores.
“Só legislação e fiscalização não resolvem. O Estado não está em todos os lugares ao mesmo tempo. É preciso que o condutor entenda que excesso de velocidade e imprudência podem custar vidas”, disse.

Ele também destacou dados preocupantes. “Cerca de 79% das internações relacionadas ao trânsito são causadas por acidentes, principalmente com motocicletas”, afirmou, acrescentando que ações integradas já vêm apresentando redução nos índices.
O fisioterapeuta Vinícius Oliveira explicou que o atendimento às vítimas começa ainda na emergência e pode se estender por longos períodos.

“O trabalho da fisioterapia vai desde a fase crítica, com pacientes muitas vezes intubados, até a reabilitação e reinserção na sociedade. É um processo longo e essencial para a recuperação”, destacou.
A diretora do Hospital Geral Clériston Andrade, Cristiana França, reforçou que a unidade é referência em casos graves e recebe principalmente pacientes politraumatizados.
“Hoje conseguimos oferecer tecnologia, especialistas e residências médicas, mas o maior desafio ainda é a prevenção. Muitos casos poderiam ser evitados com orientação e atenção básica”, afirmou.

Ela também apontou que, apesar de ainda discretos, já há sinais de melhora. “O número de pacientes reduziu um pouco. É um começo, e mostra que a conscientização está avançando”, disse.
Um dos momentos mais marcantes do fórum foi o depoimento da técnica de laboratório Délia Santos, vítima de acidente de trânsito.

“Eu estava indo trabalhar quando fui atropelada por um motorista em alta velocidade e aparentemente embriagado. Ele passou por cima das minhas pernas. Minha vida mudou completamente”, relatou.
Ela destacou as dificuldades enfrentadas após o acidente. “Sonhos foram interrompidos, projetos ficaram pela metade. Hoje tenho limitações e uma rotina totalmente diferente”, contou.
Délia deixou um apelo aos motoristas. “Respeitem o limite de velocidade, o distanciamento e lembrem que não são só carros, são vidas. Todos querem voltar para casa em segurança”, afirmou.
Presente no evento, o deputado federal Zé Neto destacou a importância da mobilização coletiva.
“Esse é um tema que diz respeito à vida da cidade. Precisamos unir forças, poder público, sociedade civil, empresários e instituições, para mudar essa realidade”, declarou.
Ele também defendeu investimentos em educação no trânsito. “Precisamos trabalhar desde a base, inclusive com crianças, para construir uma cultura de respeito e responsabilidade”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda






