Dor na relação sexual não é normal: especialistas alertam para o vaginismo e reforçam que condição tem tratamento
Ginecologista e fisioterapeuta pélvica destacam que quadro pode ser tratado com abordagem multidisciplinar

A dor durante a relação sexual ainda é tratada por muitas mulheres como algo “normal”, mas especialistas alertam: esse sintoma pode indicar uma condição chamada vaginismo, que tem diagnóstico e tratamento. O tema foi destaque no programa Cidade em Pauta, com a participação da ginecologista Dra. Márcia Suely e da fisioterapeuta pélvica Michele Versali.
A médica fez um alerta direto: “dor na relação não é normal”, reforçando que o problema é mais comum do que se imagina e muitas vezes passa despercebido.
Segundo Michele Versali, o vaginismo é caracterizado por uma contração involuntária da musculatura do assoalho pélvico, o que impede ou dificulta a penetração.
“Essa musculatura sofre uma tensão involuntária, não é porque a mulher quer. Isso pode impedir a relação sexual, exames ginecológicos e até o uso de absorvente interno”, explicou.
Dados apontam que cerca de 23% das brasileiras sentem dor na relação sexual, mas as especialistas acreditam que esse número é ainda maior.
“Esse dado é subestimado. Eu atendo quase todos os dias pacientes com vaginismo”, afirmou Dra. Márcia.

Um dos fatores que contribuem para a subnotificação é o tabu. Muitas mulheres convivem com o problema por anos sem buscar ajuda. “Ela acha que é normal, porque é um assunto pouco falado”, destacou Michele.
O vaginismo pode ter diversas origens, incluindo fatores emocionais, culturais, traumas físicos e até condições clínicas.
“É uma condição multifatorial. Pode envolver questões educacionais, religiosas, traumas e até doenças como endometriose”, explicou a fisioterapeuta.
A ginecologista reforçou que, embora o emocional tenha grande influência, a dor é real. “Não é frescura. É uma dor verdadeira e precisa ser tratada”, pontuou.
Além da dor na relação, o vaginismo pode trazer outros prejuízos à saúde, como dificuldade para realizar exames ginecológicos, constipação intestinal e até infecções urinárias recorrentes.
“Essa mulher não consegue relaxar a musculatura, o que pode gerar retenção de urina e facilitar infecções”, explicou Michele.
O diagnóstico é feito no consultório, principalmente durante a avaliação ginecológica.
“Não existe exame de sangue ou imagem. É um diagnóstico clínico, feito na conversa e no exame físico”, explicou Dra. Márcia.
O tratamento do vaginismo envolve diferentes profissionais, como ginecologista, fisioterapeuta pélvico e psicólogo. Na fisioterapia, são utilizadas técnicas como massagens perineais, exercícios, eletroterapia e biofeedback.
“A gente trabalha para desativar essa tensão muscular e ensinar a paciente a ter consciência do próprio corpo”, destacou Michele.
Em casos mais severos, podem ser utilizados recursos como toxina botulínica (botox) e laser íntimo para auxiliar no relaxamento muscular e melhorar a qualidade dos tecidos.
“O vaginismo tem cura, principalmente quando tratado precocemente”, reforçou a fisioterapeuta.
As especialistas também chamaram atenção para a importância de quebrar o tabu e buscar ajuda sem vergonha.
“O maior erro é achar que sentir dor é normal. Não é. E tem tratamento”, afirmou Michele.
Dra. Márcia completou com um apelo: “Não tenha vergonha de falar com seu ginecologista. Muitas mulheres contam para amigas, mas não procuram ajuda profissional”.
A mensagem final é clara: mulher não nasceu para sentir dor. Informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado são fundamentais para garantir qualidade de vida e bem-estar.







