Casa bonita ou casa funcional? Especialista explica como a organização impacta bem-estar e rotina
Ambientes desorganizados também podem refletir questões internas.

A busca por um lar bonito nem sempre garante praticidade no dia a dia. Esse foi um dos principais pontos abordados pela designer de interiores e personal organizer Cristina Guimarães, entrevistada no quadro Home News, ao falar sobre o conceito de “casa viva”, um ambiente que une estética, funcionalidade e leveza.
Cristina destacou que existe uma diferença clara entre um espaço visualmente agradável e um ambiente que realmente atende às necessidades dos moradores.
“A gente precisa levar em consideração como aquele espaço é usado, quais são as necessidades daquela pessoa. Não adianta nada você fazer um projeto muito bonito, mas que quando a pessoa vai usar é um caos porque não atende às necessidades dela”, explicou.
Segundo ela, organização e design caminham juntos.
“Existe uma frase que diz que a ordem precede a beleza. Quando você tira os excessos e a bagunça, você revela a beleza do ambiente”, afirmou.
A especialista exemplificou com um caso prático de uma cliente que possuía um quarto bem decorado, mas nada funcional.
“Ela tinha muitos sapatos e não tinha espaço adequado. Ficavam em caixas, e ela nunca encontrava o par que queria. Isso atrasava a rotina e gerava estresse”, contou.
Após uma intervenção no projeto, o ambiente passou a unir estética e funcionalidade.
Cristina também reforçou a importância de o profissional entender o estilo de vida do cliente antes de desenvolver qualquer projeto.
“É preciso fazer uma entrevista detalhada para saber as reais necessidades. Só assim é possível criar um espaço bonito e funcional ao mesmo tempo”, disse.
Outro ponto destacado foi a influência direta da organização no bem-estar emocional e nos relacionamentos familiares.
“A bagunça impacta mais do que as pessoas imaginam. Ela afeta o foco, a produtividade, aumenta o estresse e interfere até na saúde financeira”, alertou.
A especialista citou situações comuns do dia a dia, como comprar itens repetidos por não encontrá-los em casa ou se atrasar por não localizar roupas.
“Quem nunca comprou algo que já tinha porque não sabia onde estava? Ou se atrasou porque não encontrou o que precisava? Isso gera desgaste e conflitos”, pontuou.
Segundo Cristina, ambientes desorganizados também podem refletir questões internas.
“Muitas vezes, a desordem externa é reflexo de uma desordem interna — cansaço, sobrecarga ou questões emocionais”, afirmou.
Para famílias com crianças, a especialista recomenda abandonar a ideia de perfeição.
“Não dá para esperar uma casa intocável. É preciso buscar algo real: um sistema de organização que funcione para aquela rotina”, explicou.
Entre as dicas, ela destaca a importância de criar rotinas e envolver as crianças nas tarefas.
“A criança precisa de previsibilidade. Saber que depois de brincar, precisa guardar os brinquedos. E ela pode — e deve — participar disso, até para desenvolver autonomia e autoestima.”
Cristina também fez um alerta sobre a influência das redes sociais na forma como as pessoas encaram a organização.
“Organização não é sobre ter caixas bonitas. Antes disso, é preciso ter método e mudar hábitos. Não adianta copiar algo da internet se não funciona na sua realidade”, disse.
Ela ressalta que os organizadores são apenas a “cereja do bolo”.
“O principal é o comprometimento em manter a organização. Sem isso, nenhum produto resolve.”
Para quem se sente perdido diante da bagunça, a recomendação é começar aos poucos.
“Comece pelo pequeno. Uma gaveta, um armário. Algo que você consiga concluir. Isso gera motivação para continuar”, orientou.
Outro passo fundamental é o “destralhe” — eliminar o que não tem mais utilidade.
“Muita gente perde tempo tentando organizar o que não serve mais. Tirar os excessos é essencial para qualquer processo de organização.”
Cristina reforçou que transformar a casa é também transformar hábitos e a relação com o próprio espaço.
“A organização não acontece da noite para o dia, mas com constância ela traz leveza, funcionalidade e mais qualidade de vida.”






