Saúde

Especialista alerta para riscos e cuidados com complicações pós-cirúrgicas

Estudos indicam que cerca de 10% das cirurgias podem evoluir com algum tipo de complicação, variando de casos leves a situações que exigem tratamento especializado.

12/03/2026 10h52
Especialista alerta para riscos e cuidados com complicações pós-cirúrgicas

Durante entrevista ao programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM 95,3, a estomaterapeuta Aquilla Chahinne falou sobre complicações pós-cirúrgicas e orientou os ouvintes sobre os principais sinais de alerta que podem surgir após procedimentos cirúrgicos.

Segundo a especialista, muitas pessoas acreditam que, após a realização de uma cirurgia, o processo está completamente resolvido, mas o período pós-operatório exige atenção e acompanhamento.

“Muitas vezes a cirurgia é muito aguardada, a pessoa passa meses se preparando para realizar o procedimento. Quando acontece alguma complicação, o paciente se assusta e muitas vezes não sabe o que fazer”, explicou.

De acordo com Aquilla, estudos indicam que cerca de 10% das cirurgias podem evoluir com algum tipo de complicação, variando de casos leves a situações que exigem tratamento especializado.

Entre as intercorrências mais frequentes está o seroma, que é o acúmulo de líquido entre os tecidos após a cirurgia. A estomaterapeuta explicou que esse processo pode ser resultado natural da inflamação provocada pelo procedimento, mas precisa ser monitorado.

“O seroma é um líquido amarelado e claro que pode se acumular entre os tecidos. É um processo inflamatório normal, mas quando ocorre em excesso pode provocar o rompimento dos pontos e até infecções”, alertou.

Ela ressaltou que, em alguns casos, o acúmulo de líquido pode ser significativo e exigir drenagem. “Já atendi paciente que drenou cerca de 200 mililitros de seroma de uma só vez. Nessas situações, o acompanhamento profissional é essencial”, destacou.

A especialista acrescentou que cirurgias mais profundas ou com maior descolamento de tecidos aumentam o risco desse tipo de complicação, assim como fatores como obesidade, especialmente em cirurgias abdominais.

Outro problema que pode surgir no pós-operatório é o hematoma, caracterizado por manchas arroxeadas provocadas pelo acúmulo de sangue entre os tecidos.

“Em alguns casos o corpo consegue absorver esse sangue naturalmente, mas em outros pode evoluir para necrose. Por isso é importante observar e buscar avaliação médica”, explicou.

Aquilla também alertou para sinais claros de infecção, como vermelhidão, saída de pus, pontos escurecidos ou abertura da sutura.

“Quando aparecem sinais como secreção, vermelhidão ou rompimento dos pontos, não dá para tentar tratar em casa. É necessário procurar acompanhamento profissional”, reforçou.

A especialista também explicou que não existe um tempo único para retirada dos pontos cirúrgicos, já que isso depende da região do corpo e das condições de saúde do paciente.

“Na face, os pontos podem ser retirados entre cinco e oito dias. Já no abdômen e tórax o tempo costuma variar entre dez e quinze dias. Em cirurgias ortopédicas, principalmente em articulações, muitas vezes passa de vinte dias”, afirmou.

Ela acrescentou que fatores como idade, obesidade e doenças como diabetes podem prolongar o tempo de cicatrização.

“Cada corpo reage de uma forma diferente. Se os pontos forem retirados antes da cicatrização adequada, o risco de rompimento é enorme”, explicou.

A estomaterapeuta também destacou o uso da laserterapia de baixa intensidade como recurso auxiliar no processo de recuperação.

“O laser estimula a energia das células, aumenta a produção de colágeno e melhora a microcirculação, ajudando o paciente a sair da fase inflamatória e avançar para a cicatrização”, explicou.

Segundo Aquilla, o tratamento é indolor e pode ser utilizado tanto em casos de complicações quanto de forma preventiva, logo após a cirurgia.

Para pacientes que apresentam dificuldades na cicatrização ou sinais de complicação, a especialista recomenda procurar atendimento especializado o quanto antes.

“Se houver saída de líquido, vermelhidão, pontos escurecidos ou abertura da ferida, é necessário um tratamento avançado. O acompanhamento especializado acelera a cicatrização e oferece mais segurança ao paciente”, afirmou.

Aquilla também destacou a importância da informação para evitar agravamentos no pós-operatório.

“Prevenção começa com informação. Quanto mais orientado o paciente estiver, maiores são as chances de uma recuperação tranquila”, concluiu.

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