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“Vivemos alerta, mas com esperança”, diz Frei Valdir direto de Israel no quinto dia de guerra

Franciscano que reside há cinco anos na Terra Santa e seria guia da caravana feirense para Israel diz que ataques estão mais espaçados, mas alerta: “Nenhuma guerra é boa”

04/03/2026 16h58
“Vivemos alerta, mas com esperança”, diz Frei Valdir direto de Israel no quinto dia de guerra
Foto: Arquivo Pessoal

No quinto dia de guerra no Oriente Médio, o frei Valdir Nunes Ribeiro Frade, franciscano da Província de São Paulo que reside há cinco anos em Israel, atualizou o cenário diretamente da região de Jerusalém e descreveu um clima de tensão controlada, com alertas frequentes, mas menos intensos do que nos primeiros dias.

Durante participação ao vivo no programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, o religioso — que seria o guia espiritual e turístico da caravana feirense com viagem programada para o próximo dia 15, cancelada pela segunda vez por causa da guerra — falou sobre a rotina em meio ao conflito.

“O processo aqui na região de Jerusalém, sobretudo em Israel como um todo, vai pouco a pouco se tornando mais tranquilo, mais espaçado entre os ataques. Tivemos um de manhã, à tarde e agora no finzinho da tarde. São alertas de algum risco. No mais, a vida segue o seu curso”, relatou.

Segundo ele, quando há qualquer ameaça, a população é avisada imediatamente.

“Quando tem qualquer problema, somos alertados e cada um, dentro das suas possibilidades, procura se proteger. Não caiu nada muito grave aqui na região de Jerusalém.”

O frei comentou ainda as notícias sobre o enfraquecimento de lideranças do regime do Irã e a possibilidade de mudança política no país.

Segundo ele, a estratégia estaria dentro da lógica inicial do conflito.

“Está dentro da lógica do início do ataque, que era ir aos poucos tirando as lideranças desse atual regime e assim ir mudando para algo mais democrático”, afirmou.

Ele citou inclusive movimentações envolvendo Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã.

“Se cair um e entrar outro que continua na mesma função, também é alvo. A expressão que se usa aqui é ‘cortar a cabeça da serpente’. Se ele se torna um líder que continua esse tipo de ação, certamente será alvo de possível ataque.”

Questionado sobre o envolvimento de países aliados como os Estados Unidos, Frei Valdir disse perceber uma tentativa do Irã de ampliar o conflito.

“Pelo que temos ouvido, a tática do Irã é expandir o conflito envolvendo mais nações, para ganhar expressão de força e liderança na região.”

Para ele, isso pode provocar reações em cadeia.

“Os ataques têm sido fortes nesses países vizinhos e deve haver reação de apoio a essa coalizão, pressionando o Irã a mudar suas escolhas.”

O religioso destacou que, independentemente de posicionamentos políticos, a guerra traz sofrimento coletivo.

“Toda guerra é dolorosa porque cria insegurança e um desconforto emocional muito grande. A vida fica mais limitada. Quando tem alerta, precisa se proteger, e ninguém sabe a hora que vem.”

Ele também alertou para possíveis impactos econômicos.

“Provavelmente vai haver subida de preços de alimentos e de todos os produtos, por causa da interrupção de canais de petróleo. Isso traz sofrimento. Nenhuma guerra é boa. Mesmo quando se fala em ‘guerra santa’, de santa tem pouco.”

Com experiência anterior em áreas de conflito — ele viveu cerca de sete anos em Angola durante a guerra civil —, o frei compara os cenários.

“A guerra cria um ritmo de vida doloroso. Se locomover é mais difícil, comprar se torna mais difícil, os preços sobem, a produção diminui. É um tempo de sofrimento.”

Mesmo diante da insegurança, Frei Valdir afirma manter serenidade e confiança.

“Eu, como frade, devo confiar plenamente em Deus. Da morte nós já temos garantia. Podemos morrer em desespero ou em esperança. Eu escolho viver em esperança.”

Ele acrescenta que o medo não pode dominar.

“Quando o medo nos domina, gera insegurança e sofrimento. Eu procuro viver essa experiência na fé. A fé nos dá força para superar as dificuldades.”

A viagem do grupo feirense à Terra Santa, que seria acompanhada por Frei Valdir como guia, foi cancelada pela segunda vez por causa da guerra. Enquanto isso, ele segue atualizando diariamente a situação direto de Israel.

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