Março Lilás reforça alerta: câncer de colo do útero mata 8 mil mulheres por ano no Brasil
Especialistas defendem vacinação e Papanicolau como armas contra o câncer de colo uterino

Durante entrevista ao programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM 95,3, a ginecologista Dra. Cláudia Souza e o citopatologista Isaac Ribeiro Neto reforçaram a importância da prevenção ao câncer de colo do útero, tema central da campanha Março Lilás — movimento nacional de conscientização sobre a doença.
O assunto ganhou destaque ao lembrar que o câncer de colo uterino é considerado um dos poucos tipos de câncer que podem ser efetivamente prevenidos.
“É uma campanha de combate e prevenção ao câncer de colo uterino, que ainda tem uma incidência muito grande. São cerca de 16 mil novos casos por ano e oito mil mulheres morrem no Brasil anualmente. É um índice avassalador”, alertou a Dra. Cláudia.
Segundo ela, os dois pilares da campanha são a vacinação contra o HPV e a realização periódica do exame preventivo, conhecido como Papanicolau.
Isaac Ribeiro Neto explicou que o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer é a infecção persistente pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano).
“O principal fator de risco é a presença do vírus HPV. Existem tipos que causam apenas verrugas, mas há os de alto risco, que podem provocar lesões mais agressivas e evoluir para o câncer”, destacou.
Ele também chamou atenção para o fato de que o HPV não está relacionado apenas ao câncer do colo do útero.
“O HPV não causa apenas câncer de colo. Ele também está associado a câncer de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe, como garganta, amígdala e língua. Por isso a vacinação é uma arma tão importante”, reforçou.
A médica ressaltou que o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros e a falta de proteção estão entre os fatores que ampliam o risco de contaminação pelo vírus.
“Hoje sabemos que a precocidade do contato íntimo é um fator de risco. Muitas meninas iniciam a vida sexual desprotegidas e associam isso a outros fatores, como tabagismo e baixa imunidade, que facilitam o desenvolvimento das lesões”, explicou.
Além disso, barreiras culturais e sociais ainda dificultam a prevenção.
“Às vezes há medo do exame, medo do diagnóstico, questões religiosas ou até casos em que o parceiro não permite que a mulher vá ao posto de saúde. São situações simples de resolver, mas que podem resultar em consequências graves”, pontuou a ginecologista.
Um dos pontos mais preocupantes, segundo os especialistas, é que o câncer de colo do útero pode ser assintomático nas fases iniciais.
“Muitas vezes essa doença é silenciosa. Quando começa a apresentar sintomas como sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação sexual ou dor, o câncer pode já estar em estágio invasivo”, alertou a médica.
Mulheres na menopausa também precisam redobrar a atenção.
“A mulher que já não menstrua e volta a sangrar precisa investigar imediatamente”, acrescentou.
Apesar dos avanços tecnológicos, o Papanicolau continua sendo o principal exame de rastreamento disponível na rede pública.
“O câncer de colo demora de oito a dez anos para se instalar. Temos um período longo para detectar alterações e tratar antes que evolua”, explicou Isaac.
Ele também falou sobre o exame de biologia molecular, que identifica a presença do HPV e seu tipo.
“O exame de biologia molecular detecta se há presença do HPV e se ele é de alto ou baixo risco. Mas ele não indica que a mulher já tem câncer, apenas que precisa de vigilância maior”, esclareceu.
Atualmente, segundo o especialista, esse exame ainda não está amplamente disponível no Sistema Único de Saúde, funcionando em fase de projeto piloto em algumas regiões.
Questionados sobre a possibilidade de gravidez após tratamento, os especialistas afirmaram que, a depender do estágio da doença, é possível engravidar.
“Se o câncer estiver em fase inicial e for totalmente removido, essa mulher pode engravidar sim. Ela só precisará de um pré-natal mais cuidadoso”, explicou a ginecologista.
A reposição hormonal também não é contraindicada na maioria dos casos.
“Não é um câncer hormônio-dependente. Em mais de 98% dos casos é causado por infecção persistente pelo HPV”, completou.
Para os profissionais, a principal mensagem do Março Lilás é clara: informação é prevenção.
“Sexo seguro, vacinação e exame preventivo. Esses são os pilares para evitar a doença”, reforçou Isaac.
Dra. Cláudia finalizou com um apelo direto às mulheres, especialmente na faixa entre 35 e 50 anos:
“Não deixem de fazer seus exames de rotina. A prevenção é o melhor caminho para garantir qualidade de vida.”
A médica atende na Clínica Vitalis, no Edifício Premier, sala 703, na Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana.







