Saúde

Março Lilás reforça alerta: câncer de colo do útero mata 8 mil mulheres por ano no Brasil

Especialistas defendem vacinação e Papanicolau como armas contra o câncer de colo uterino

02/03/2026 11h30
Março Lilás reforça alerta: câncer de colo do útero mata 8 mil mulheres por ano no Brasil

Durante entrevista ao programa Cidade em Pauta, da Nordeste FM 95,3, a ginecologista Dra. Cláudia Souza e o citopatologista Isaac Ribeiro Neto reforçaram a importância da prevenção ao câncer de colo do útero, tema central da campanha Março Lilás — movimento nacional de conscientização sobre a doença.

O assunto ganhou destaque ao lembrar que o câncer de colo uterino é considerado um dos poucos tipos de câncer que podem ser efetivamente prevenidos.

“É uma campanha de combate e prevenção ao câncer de colo uterino, que ainda tem uma incidência muito grande. São cerca de 16 mil novos casos por ano e oito mil mulheres morrem no Brasil anualmente. É um índice avassalador”, alertou a Dra. Cláudia.

Segundo ela, os dois pilares da campanha são a vacinação contra o HPV e a realização periódica do exame preventivo, conhecido como Papanicolau.

Isaac Ribeiro Neto explicou que o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer é a infecção persistente pelo vírus HPV (Papilomavírus Humano).

“O principal fator de risco é a presença do vírus HPV. Existem tipos que causam apenas verrugas, mas há os de alto risco, que podem provocar lesões mais agressivas e evoluir para o câncer”, destacou.

Ele também chamou atenção para o fato de que o HPV não está relacionado apenas ao câncer do colo do útero.

“O HPV não causa apenas câncer de colo. Ele também está associado a câncer de vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe, como garganta, amígdala e língua. Por isso a vacinação é uma arma tão importante”, reforçou.

A médica ressaltou que o início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros e a falta de proteção estão entre os fatores que ampliam o risco de contaminação pelo vírus.

“Hoje sabemos que a precocidade do contato íntimo é um fator de risco. Muitas meninas iniciam a vida sexual desprotegidas e associam isso a outros fatores, como tabagismo e baixa imunidade, que facilitam o desenvolvimento das lesões”, explicou.

Além disso, barreiras culturais e sociais ainda dificultam a prevenção.

“Às vezes há medo do exame, medo do diagnóstico, questões religiosas ou até casos em que o parceiro não permite que a mulher vá ao posto de saúde. São situações simples de resolver, mas que podem resultar em consequências graves”, pontuou a ginecologista.

Um dos pontos mais preocupantes, segundo os especialistas, é que o câncer de colo do útero pode ser assintomático nas fases iniciais.

“Muitas vezes essa doença é silenciosa. Quando começa a apresentar sintomas como sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação sexual ou dor, o câncer pode já estar em estágio invasivo”, alertou a médica.

Mulheres na menopausa também precisam redobrar a atenção.

“A mulher que já não menstrua e volta a sangrar precisa investigar imediatamente”, acrescentou.

Apesar dos avanços tecnológicos, o Papanicolau continua sendo o principal exame de rastreamento disponível na rede pública.

“O câncer de colo demora de oito a dez anos para se instalar. Temos um período longo para detectar alterações e tratar antes que evolua”, explicou Isaac.

Ele também falou sobre o exame de biologia molecular, que identifica a presença do HPV e seu tipo.

“O exame de biologia molecular detecta se há presença do HPV e se ele é de alto ou baixo risco. Mas ele não indica que a mulher já tem câncer, apenas que precisa de vigilância maior”, esclareceu.

Atualmente, segundo o especialista, esse exame ainda não está amplamente disponível no Sistema Único de Saúde, funcionando em fase de projeto piloto em algumas regiões.

Questionados sobre a possibilidade de gravidez após tratamento, os especialistas afirmaram que, a depender do estágio da doença, é possível engravidar.

“Se o câncer estiver em fase inicial e for totalmente removido, essa mulher pode engravidar sim. Ela só precisará de um pré-natal mais cuidadoso”, explicou a ginecologista.

A reposição hormonal também não é contraindicada na maioria dos casos.

“Não é um câncer hormônio-dependente. Em mais de 98% dos casos é causado por infecção persistente pelo HPV”, completou.

Para os profissionais, a principal mensagem do Março Lilás é clara: informação é prevenção.

“Sexo seguro, vacinação e exame preventivo. Esses são os pilares para evitar a doença”, reforçou Isaac.

Dra. Cláudia finalizou com um apelo direto às mulheres, especialmente na faixa entre 35 e 50 anos:

“Não deixem de fazer seus exames de rotina. A prevenção é o melhor caminho para garantir qualidade de vida.”

A médica atende na Clínica Vitalis, no Edifício Premier, sala 703, na Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana.

Comentários

Leia também

Saúde
Rótulos de remédios deverão trazer alerta sobre efeitos em motoristas

Rótulos de remédios deverão trazer alerta sobre efeitos em motoristas

Proposta obriga inclusão de avisos claros sobre sonolência, tontura e lentidão dos reflexos...
Saúde
Casos de síndrome respiratória grave avançam entre crianças e acendem alerta de especialistas

Casos de síndrome respiratória grave avançam entre crianças e acendem alerta de especialistas

Alta nas hospitalizações por vírus respiratórios reforça a importância da vacinação...
Saúde
Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Síndrome do intestino irritável afeta cerca de 10% da população, alerta especialista

Médico gastroenterologista destaca relação direta entre emoções, alimentação e saúde...