Meditação, paz e justiça climática: a contribuição da Brahma Kumaris na COP30
Goreth Dunningham avalia COP30 e defende transição energética responsável

A coordenadora da Brahma Kumaris em Salvador, Goreth Dunningham, integrou uma delegação internacional da organização durante a COP30, realizada em Belém do Pará. Em entrevista com Jorge Biancchi, ela destacou a participação ativa do grupo no evento e avaliou as discussões climáticas como um momento de esperança, diálogo e compromisso global.
Goreth explicou que a Brahma Kumaris levou a Belém uma comitiva diversa.
“Somos uma delegação de vinte pessoas de várias partes do mundo. A Brahma Kumaris é uma ONG que oferece meditação gratuita e acreditamos que a meditação ajuda a melhorar a saúde mental, e a pessoa que melhora sua saúde mental ajuda a melhorar o planeta.”
Para ela, a COP30 foi um espaço importante para levar uma mensagem de paz e de cooperação global.
“Estamos aqui com muita esperança de dias melhores.”
A coordenadora celebrou conquistas importantes durante o evento, como as demarcações recentes.
“Quatorze territórios indígenas foram demarcados durante esse período e muitas negociações ocorreram, como o mapa do caminho para construir uma transição energética e mais justiça climática.”
Goreth elogiou a escolha da capital paraense como anfitriã da conferência:
“Belém é uma cidade maravilhosa, linda, acolhedora. É verdade que é quente, mas muito bela, com muito verde. Não poderia ser em lugar melhor.”
Reconheceu, porém, que a cidade enfrentou dificuldades: “Claro que há desafios de infraestrutura, mas isso é o mínimo diante da grandiosidade de Belém. Aqui é a casa dos povos originários, então teria que ser aqui mesmo.”
A Brahma Kumaris participou de atividades diversas na Blue Zone, Green Zone, Cúpula dos Povos, marchas e eventos inter-religiosos.
“Estivemos em todas as atividades, levando meditação, paz e cooperação para transformar o mundo.”
Ao comentar o impasse sobre combustíveis fósseis, Goreth avaliou que a transição deve ser firme, porém responsável.
“Os combustíveis fósseis são altamente destrutivos, mas a mudança não pode ser brusca. Não temos como apertar um botão e, de repente, tudo virar energia limpa. Isso criaria uma guerra mundial.”
Ela defende que o “mapa do caminho” seja rigorosamente acompanhado pela sociedade: “As autoridades são responsáveis, mas nós também somos, ao observar, fiscalizar e cobrar. A transição precisa ser mais rápida, porque não temos tempo a perder. A natureza sangra, a natureza grita.”
Goreth ressaltou que os debates mais intensos da COP30 giraram em torno da desigualdade ambiental.
“Os povos que menos poluem são os mais impactados por aqueles que poluem. Precisamos contrabalançar essa injustiça.”
Ela destacou que novos mecanismos de financiamento devem chegar às populações mais vulneráveis.
“Estão sendo discutidas várias formas de captar recursos dos grandes poluidores para ajudar comunidades ribeirinhas, periféricas e povos originários.” E completou: “Não existe reparação completa, a perda é imensurável, mas alguma coisa precisa ser feita.”
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém







