COP30 reacende debate sobre justiça climática e saneamento no Brasil
O Governo Federal atua através da Funasa e de outros ministérios para acelerar a entrega de unidades sanitárias e reduzir esse déficit histórico.

Durante a COP30, em Belém do Pará, o presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Motta, falou sobre o programa federal que busca eliminar o número de residências sem banheiro no Brasil, uma realidade que ainda afeta milhões de pessoas, inclusive na Bahia e no Nordeste. Em entrevista com Jorge Biancchi, ele explicou o funcionamento da iniciativa, os desafios ambientais e o impacto da conferência climática na pauta do saneamento básico.
Alexandre destacou que a ausência de banheiros ainda é uma chaga social que compromete saúde pública, bem-estar e dignidade.
“A questão dos banheiros é absolutamente central. O IBGE estima que existam cerca de 1,2 milhão de residências no Brasil sem banheiro. Isso significa mais ou menos quatro milhões de pessoas nessa situação.”
Segundo ele, o Governo Federal atua através da Funasa e de outros ministérios para acelerar a entrega de unidades sanitárias e reduzir esse déficit histórico.
O presidente explicou que a Funasa abriu editais para prefeituras apresentarem projetos e que a seleção está em andamento.
“Recebemos em torno de 4.338 projetos. Vamos alocar R$ 270 milhões nos que forem selecionados para atacar esse problema.”
Ele ressaltou que cidades da região de Feira de Santana que ainda não aderiram ao programa devem se preparar para o próximo edital.
“Para este ano não dá mais, mas para o ano que vem é importante que as prefeituras já deixem seus projetos prontos.”
Motta enfatizou que a construção de banheiros ajuda diretamente no enfrentamento de doenças agravadas pela crise climática.
“No ano passado entregamos cerca de cinco mil banheiros, e mais cinco mil serão entregues este ano. O banheiro é o espaço onde a pessoa escova os dentes, lava as mãos, toma banho. É fundamental para evitar epidemias.”
Além da saúde, o presidente lembrou da importância técnica na construção das fossas, especialmente em áreas rurais.
“O perigo é construir uma fossa muito próxima de um poço artesiano, contaminando a água. É um risco muito grave. Por isso é preciso orientação de engenheiros, arquitetos e agentes de saúde.”
Para Motta, a conferência climática oferece uma oportunidade de ampliar a conscientização sobre o papel do saneamento na justiça ambiental.
“Não há justiça climática nem segurança hídrica sem saneamento básico. Estamos aproveitando a COP para divulgar o tema e lembrar que saneamento precisa estar na agenda cotidiana da sociedade.”
Ele reforçou a necessidade do apoio da imprensa para difundir a discussão em todo o país.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém






