Estudante angolano destaca desafios da crise climática na África
Países africanos têm buscado protagonismo nas discussões climáticas, defendendo não apenas reconhecimento, mas principalmente compromisso financeiro e político

Durante a cobertura especial da COP30 em Belém do Pará, Jorge Biancchi conversou com o estudante angolano Fausto Jungo Dala, que vive em Belém e participou do evento representando seu país. Fausto trouxe uma visão sobre a participação de Angola nas discussões climáticas, os desafios enfrentados pelo continente africano e a urgência de financiamento internacional para que países pobres possam enfrentar os impactos da crise climática.
Ele destacou que Angola tem marcado presença em diversas conferências internacionais e reforçou que a COP30 representa continuidade de um trabalho estratégico.
“Temos participado de várias conferências e nesta COP30 vemos que muitos dos nossos objetivos estão a ser cumpridos. Angola tem firmado parcerias com setores de outros países ligados às alterações climáticas”, explicou.
Fausto reforçou que a experiência no Brasil tem ampliado o olhar sobre soluções e práticas aplicadas na região amazônica.
“A experiência aqui tem sido útil. Queremos levar iniciativas e projetos importantes para acelerar ações em nosso país, especialmente aprendendo com os povos da Amazônia”, afirmou.
O estudante falou sobre como a crise climática atinge populações negras.
“Em Angola, a região mais afetada é o Sul. A maior parte da população que vive ali é negra e sofre diretamente com secas, degradação da agricultura e inundações”, relatou.
Segundo ele, vulnerabilidade climática e desigualdade social caminham juntas.
“Como a maior parte da população dessas áreas é negra, são os negros que mais sofrem com essas situações”, destacou.
Fausto defende que a principal estratégia de Angola para enfrentar os impactos climáticos deve ser o investimento em educação.
“O maior desafio é apostar mais na educação ambiental. Precisamos formar pessoas, investir em conhecimento técnico e profissional. Sem isso, não conseguimos lidar com o mercado de baixo carbono”, avaliou.
Ele ressaltou que políticas de adaptação e mitigação já existem, mas precisam de mais financiamento.
“Temos políticas definidas, mas precisamos acelerá-las. Para isso, é necessário mais financiamento, mais fundos e mais apoio internacional”, disse.

Um dos temas mais citados na COP30 é o financiamento climático, promessa feita especialmente pelos países ricos, mas ainda mal executada. Fausto criticou a dificuldade de acesso a esses recursos.
“Os países com maior economia têm obrigação de apoiar aqueles com economias mais frágeis. Mas muitas vezes, quando chegam as negociações, esses acordos não se efetivam”, lamentou.
Ele reforçou que a responsabilidade histórica das grandes economias não pode ser ignorada.
“As grandes economias começaram o processo de industrialização e foram responsáveis pela maior parte das emissões. É justo que apoiem os países que mais sofrem com os impactos, mas que têm menos recursos para reagir.”
Fausto defendeu que o financiamento precisa sair do papel: “Esses acordos não podem ser só palavras. Têm que virar prática para que os países pobres consigam adaptação e justiça climática.”
Ao final da entrevista, Fausto destacou o vínculo afetivo entre Brasil e Angola.
“O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola. Somos países irmãos. Quando estamos aqui, sentimos como se estivéssemos em casa”, afirmou.
*Com informações de Jorge Biancchi, direto da COP 30 em Belém







