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20/03/2019 - 17:34

Casos de violência doméstica ficam ocultos na zona rural, diz delegada

Março Mulher
Casos de violência doméstica ficam ocultos na zona rural, diz delegada

Kleiton Costa

Se o medo e a vergonha fazem muitas mulheres esconderem as agressões sofridas nas grandes cidades, a situação da zona rural é ainda mais propensa à omissão dos casos de violência doméstica.

“É um número oculto. Sabemos que a mulher da zona rural é a que menos registra ocorrência. Na zona rural, temos um número muito baixo de casos registrados”, disse a delegada Maria Clécia Vasconcelos, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Feira de Santana.

Além de informações que vêm da própria rotina da Deam, Maria Clécia tem dados de uma pesquisa que desenvolve na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), na qual entrevistou diversas mulheres, inclusive da zona rural.

Segundo Clécia, além de enfrentar uma cultura machista, a mulher do campo tem enormes dificuldades de transporte até os órgãos que atuam em defesa da mulher, já que eles são localizados na área urbana.

“Na zona rural, a mulher é sempre desestimulada a não denunciar. Tem a dificuldade também de depender do homem, a figura do provedor da casa”, explicou a delegada.

Maria Clécia defende que o combate à violência doméstica na zona rural depende de  uma política pública que permita acesso à rede de assistência à mulher – órgãos de saúde, Ministério Público, Poder Judiciário, delegacias e o Centro de Referência da Mulher. “O primeiro passo seria como viabilizar um mecanismo para que ela faça as denúncias”, disse a delegada.

Números

Em Feira de Santana, a Deam registra, em média, 15 casos de violência doméstica por dia. Neste ano, já são 779 queixas e em todo o ano passado a polícia contabilizou 3.246 ocorrências.

Denúncias podem ser feitas pelos telefones (75) 3602-9190, 190 e 180.

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