Programa De Olho na Cidade

04/11/2018 - 07:01

ONG socorre 2,6 mil vítimas de violência sexual em cidade da África

Mundo
Entre maio de 2017 e setembro deste ano, a organização não governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) atendeu a cerca de 2,6 mil vítimas de violência sexual somente na cidade de Kananga, na República Democrática do Congo, na África Central. De acordo com a ONG, 80% delas relataram ter sido forçadas a manter as relações sexuais sob a mira de homens armados.
 
Do total, 162 pacientes socorridos nessas condições eram crianças com menos de 15 anos de idade, sendo que 22 tinham menos de 5 anos. Apesar de a maioria das vítimas ser do gênero feminino, o levantamento da entidade também registrou casos de homens que foram coagidos a estuprar membros de sua própria comunidade. Um total de 32 homens alegam ter sido sujeitados a essa situação.
 
Em nota, o coordenador-geral da unidade do MSF instalada no país, Karel Janssens, avalia que a incidência de violência sexual na região evidencia circunstâncias que persistiram ao longo de todo o ano passado. Segundo ele, os chocantes depoimentos de sobreviventes descrevem como a comunidade e a vida das pessoas foram separadas, tornando muito difícil sua reconstrução e seu avanço.
 
Localizado na província de Kasai, o município congolês de Kananga passou a dispor da assistência oferecida pela MSF a vítimas de violência sexual apenas em setembro do ano passado. A estrutura foi montada em maio de 2017, mais de um ano após o início da crise humanitária na região, com o propósito inicial de ser um núcleo de procedimentos cirúrgicos para pacientes de trauma.
 
O perfil da unidade foi sendo alterado à medida que as equipes identificaram a frequente demanda por atendimento de vítimas de crimes sexuais. Com a adaptação nos serviços, a MSF já cuida de mais de 200 pacientes por mês, em média.
 
Segundo a organização, três a cada quatro vítimas de violações sexuais só chega ao posto de atendimento. A situação encontra-se distante da ideal, já que o acolhimento médico até 72 horas após o estupro torna possível a administração de contracepção de emergência e de medicamentos profiláticos, que diminuem significativamente a suscetibilidade da vítima a doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.

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