Programa De Olho na Cidade

17/09/2015 - 18:51

Antônio do Lajedinho lembra da 2ª Guerra e diz que iria novamente ao combate

Ex-combatente foi à 2ª Guerra Mundial com outros nove feirenses.
Feira e sua História
Antônio do Lajedinho lembra da 2ª Guerra e diz que iria novamente ao combate

No ano em que se completam setenta anos do fim da Segunda Guerra Mundial, o feirense Antônio Moreira Ferreira, que participou dos combates junto com outros nove militares de Feira de Santana, diz que participaria novamente dos confrontos em defesa da pátria.

Apesar da Guerra ter começado em 1939, Antônio foi convocado pela Marinha do Brasil  em 1942, juntamente com o irmão, Eurícles Ferreira. “O meu pai disse que se ele não tivesse família ele mesmo iria. Então permitiu que os filhos fossem”, relatou o ex-combatente, também conhecido como Antônio do Lajedinho.

Antônio lembra que a morte de centenas de brasileiros durante a Guerra comoveu a população. O primeiro ataque dos alemães a navios brasileiros ocorreu em 1941. O Brasil entrou no conflito em agosto de 1942, com a declaração de guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista após a morte de 607 pessoas em seguidos ataques do Eixo a navios brasileiros situados em uma área do Atlântico que vai da costa leste norte-americana ao Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África.

 “Eu repetiria isso porque acho que devemos defender a nossa pátria. Muitos brasileiros morreram sem participar da guerra”, relatou o ex-militar, ao participar da série de entrevistas “Feira e Sua História”, no Programa De Olho na Cidade.

Antônio do Lajedinho atuou em um navio que foi atacado por bombas no território italiano e relata a desvantagem bélica do Brasil. “Eram poucos navios, movidos a carvão. Tivemos problemas porque não tínhamos armas para combater submarinos. Não sabíamos o local e o momento em que iam nos atacar”.

O ex-marinheiro ainda se emociona ao lembrar da morte de 99 colegas que estavam com ele no navio no momento do ataque feito por militares alemães. Ele conta que estava dormindo e acordou ao ser lançado na água. Agarrou-se a uma taboa e amanheceu no mar, sendo resgatado às 7 horas da manhã. “Tenho lembranças boas nos momentos em que estávamos nos portos, mas lembro dos colegas que morreram”, disse o feirense.

Antônio Ferreira tem 90 anos e é filho de Francisco Ferreira da Silva e Zilda Moreira Ferreira. É o único ex-combatente de Feira de Santana ainda vivo. Cursou o primário na Escola Normal Rural de Feira. Depois de deixar a Marinha tornou-se jornalista profissional e advogado atuante nas comarcas de Irecê, Morro do Chapéu, Central, Xique-Xique e juiz da cidade de América Dourada. Recebeu do Exército Brasileiro o Diploma de Amigo do 35 BI, além das comendas Maria Quitéria, Godofredo Filho pela Câmara Municipal de Feira de Santana e Honraria no grau de Oficial da Ordem Municipal do Mérito de Feira de Santana.

Poeta e Cronista é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, Instituto Internacional da Poesia, União Brasileira de Escritores e da Academia Feirense de Letras na qual exerce a função de Diretor de Biblioteca.

Kleiton Costa

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